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PF prende 105 acusados de
invadir contas bancárias via web
SEBASTIÃO MONTALVÃO
Colaboração para a Agência Folha, em Goiânia
ADRIANA CHAVES
da Agência Folha
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira 105 pessoas acusadas de integrar o
que seria a maior quadrilha brasileira de piratas virtuais, especializada em
invasão de contas bancárias pela internet. No total, 141 mandados de prisão,
busca e apreensão foram expedidos em sete Estados e no Distrito Federal.
Em Goiás, base da quadrilha, a Operação Pégasus deteve 82 pessoas. Ocorreram
prisões ainda em São Paulo (dez), Minas Gerais (seis), Pará (três), Espírito
Santo (duas) e no Distrito Federal (duas). Nos Estados do Tocantins e Maranhão,
onde o grupo também atuaria, só foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Segundo levantamentos iniciais, ainda não confirmados oficialmente pela PF, os
desvios podem chegar a R$ 80 milhões. As vítimas são correntistas das
principais instituições bancárias.
Segundo o delegado Cristiano Sampaio, pelo menos 20 das pessoas detidas nesta
quinta já haviam sido presas em outras operações similares. Dessas, de oito a
12 seriam os "cabeças". "Algumas delas já foram presas três ou
quatro vezes", disse ele, sem explicar por que elas foram soltas.
Com o grupo foram apreendidos equipamentos de informática, documentos de carros
e diversos cartões de crédito e de débito.
Segundo o delegado Cristiano Sampaio, da DRCC (Divisão de Repressão a Crimes
Cibernéticos), criada há seis meses, a PF ainda investiga outras possíveis
ramificações da quadrilha.
O golpe é conhecido como "pishing" --uma fusão dos termos em inglês
password (senha) e fishing (pescar)-- e consistia em "pescar" as
senhas dos usuários.
Trojan
A estratégia mais utilizada, segundo a polícia, consistia no envio de e-mails
com um programa executável embutido, conhecido como "trojan". Ao
acessá-lo, o usuário instalava involuntariamente o programa que espionava o
sistema. A partir daí, a quadrilha tinha acesso a tudo o que era digitado na máquina.
Em outros casos, ainda segundo a polícia, o grupo clonava a página inicial das
agências bancárias na internet. Imaginando estar acessando a página oficial
da instituição, o cliente acabava digitando os dados na página pirata.
Segundo a Polícia Federal, todo o dinheiro desviado era depositado em contas de
"laranjas" ou utilizado para pagamento de faturas de terceiros. Também
foram constatados casos de compras de produtos pela internet. Ainda não foram
identificados ataques diretos a instituições bancárias.
O grupo criou uma divisão de tarefas, segundo a polícia. Os programadores
criavam as páginas clone, as mensagens e o "trojan". Os usuários
exploravam esses programas e emitiam diariamente milhares de e-mails em busca de
novas vítimas. O grupo dos chamados "carteiros" buscava boletos bancários
para serem quitados pela internet.
As pessoas que pagaram contas por esse método e as que "alugaram"
suas contas para movimentações financeiras também estão sendo investigadas.
Outro lado
A PF não forneceu o nome de nenhum dos detidos. A reportagem não teve acesso
aos advogados dos suspeitos.
Parentes de "laranjas" que estavam na sede da PF diziam que os
familiares haviam perdido os cartões e as senhas, que foram parar nas mãos da
quadrilha.
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