Pense grande, além da
tela do computador
Se o seu diferencial está na tecnologia, cuidado. Tecnologia faz diferença
sim, mas somente enquanto ninguém copiá-la. Para fazer a diferença, aprenda a
ter idéias, seja objetivo e valorize o humano.
Cezar Calligaris
Um desses e-mails que todo mundo recebe tem uma história interessante. Diz que,
para resolver o problema de escrever debaixo d'água, os americanos gastaram
milhares de dólares para inventar uma caneta, enquanto os russos simplesmente
usaram um lápis.
A internet tornou-se uma caneta que escreve debaixo d’água: todo mundo quer
usar, mesmo que existam soluções muito mais simples e baratas. Usar a
tecnologia tornou-se bonito, pois ainda é uma novidade e deslumbra as pessoas.
Quer um exemplo de como isso funciona? Alguns anos atrás, empresas divulgavam
com orgulho que haviam enviado cartões virtuais de fim de ano para seus
clientes, tentando passar uma imagem de modernidade e reduzindo custos. Hoje o
envio de cartões virtuais tornou-se algo tão banal que fazer isso seria um
grande descaso, quase uma ofensa. Os cartões e presentes offline, mais pessoais
e calorosos, voltaram a ter seu valor.
Se o seu diferencial está na tecnologia, muito cuidado. Tecnologia faz diferença
sim, mas somente enquanto ninguém copiá-la. De sites a aparelhos eletrônicos,
de computadores a MP3 players, tudo pode ser copiado. Mas se é assim, como é
possível fazer a diferença?
Primeiro, aprenda a ter idéias, não a produzi-las. Se você é um expert na área
online, leia tudo o que pode existir de offline relacionado a isso. Estude os
conceitos básicos. Enquanto o mundo digital tem cerca de 20 anos de
conhecimento acumulado, o mundo offline tem pelo menos dez séculos. Seu
trabalho online tem tudo a ver com psicologia, sociologia, Michelangelo, O
Príncipe e A Arte da Guerra.
Segundo, seja simples e objetivo. Ser simples é diferente de ser grosseiro ou
de nivelar por baixo. Ser simples significa usar a ferramenta certa para fazer a
coisa certa. Muitas vezes você vai perceber que a ferramenta certa não é
online, principalmente porque não oferece a atenção de que as pessoas tanto
precisam. Para combinar uma reunião com os amigos, os comunicadores instantâneos
e os e-mails são ótimos, mas para resolver um desentendimento com um desses
colegas, nada como um telefonema ou um encontro pessoal.
Terceiro, valorize o ser humano, não as máquinas. Apesar de muitas pessoas
preferirem máquinas a humanos (e em alguns casos têm toda a razão), as máquinas
ainda são apenas produtoras de idéias. Máquinas são substituíveis, seres
humanos não. Você não acha em qualquer esquina pessoas, talentos, confiança
e cultura acumulada da sua empresa.
É impossível dizer quantas filas deixamos de pegar graças ao internet banking.
Mas quando precisamos de um empréstimo além do limite, a conversa com o
gerente abre muitos caminhos. Com as ferramentas de comparação de preços, é
possível descobrir os menores preços na internet. Mas, ao passar em uma loja,
ainda é possível pechinchar ou pedir um brinde ao vendedor.
Tem um mundo todo à sua volta. De amigos que não estão nos comunicadores a
paisagens com cores que monitor nenhum seria capaz de mostrar. Pense grande,
pense além da tela do computador. Entender e usar o mundo offline pode
multiplicar caminhos para quem trabalha com online. As duas áreas são
complementares e têm muito a aprender uma com a outra. Não tente inventar a
caneta que escreve debaixo d’água. Aperfeiçoe o lápis. [Webinsider]
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